Memórias afetivas e reaproveitamento: A transformação de um apartamento em Botafogo
O apartamento localizado na região de Botafogo, no Rio de Janeiro, foi completamente repaginado pelos seus moradores, os arquitetos Guilherme Erthal, do escritório Occa+, e Nathalia Blayer, que além de assinar o projeto de interiores, também lideraram a reforma. A principal motivação do casal foi aumentar a área da cozinha e integrá-la à sala, garantindo uma circulação mais fluída e uma conexão visual entre os ambientes. No entanto, o projeto carregava uma responsabilidade ainda maior: preservar a memória afetiva da arquiteta Nathalia em relação ao espaço, que possui um forte vínculo emocional com a sua infância e com sua avó.

Ao longo do processo, a preservação de elementos originais do apartamento foi essencial para manter a identidade do lugar. Um dos pontos de destaque foi a exposição dos tijolos estruturais da fachada e das vigas e pilares em concreto, detalhes que não só remetem à estética industrial, como também trazem à tona lembranças de infância da arquiteta, resgatando memórias do convívio familiar e da casa da avó, que desempenhou um papel importante na sua formação pessoal.

O conceito de decoração do apartamento segue uma linha de reaproveitamento de objetos pessoais da avó de Nathalia, que imigrou do Egito para o Brasil. Esse legado cultural e familiar é transmitido através de itens únicos e cheios de significado, como as duas celas de camelo, trazidas pelo avô de Nathalia, que atualmente ficam sob a estante da sala e são utilizadas como pufes para visitas. Essas peças, além de sua funcionalidade, carregam uma história rica e incomum, tornando o espaço ainda mais pessoal e característico.

Entre os itens expostos na decoração, também se destacam pratarias que retratam imagens do Egito Antigo, uma herança valiosa que contribui para a atmosfera cultural e afetiva do lar. Livros e objetos pessoais ganham lugar de destaque em todo o apartamento, compondo não apenas o aspecto estético, mas também emocional do espaço. Na cozinha, por exemplo, os utensílios e mantimentos são deixados aparentes, refletindo a intenção do casal de criar um ambiente autêntico e prático, onde o design não se sobrepõe à funcionalidade.

A integração da cozinha com a sala foi uma solução que não apenas ampliou os espaços, como também trouxe mais leveza ao apartamento. Esse conceito aberto cria um diálogo entre os ambientes, permitindo que a convivência diária seja mais fluida. Ao combinar memórias afetivas com uma estética industrial e o reaproveitamento de itens históricos, Guilherme e Nathalia conseguiram criar um espaço que é ao mesmo tempo prático, acolhedor e profundamente pessoal.

O apartamento, com seu design singular e suas lembranças impregnadas em cada detalhe, reflete o equilíbrio perfeito entre o passado e o presente, resultando em um lar que não é apenas um espaço físico, mas também uma homenagem às memórias e raízes de uma família.


fotos | Marcos Reis