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Apartamento no edifício Saint Honoré projetado por Artacho Jurado faz parte da mesma família há três gerações

arquitetura | SAO Arquitetura

 

Ícone da verticalização Paulista, o edifício Saint Honoré foi um dos primeiros prédios da Avenida Paulista, finalizado em 1962. Desde o traço orgânico da marquise de entrada, voltada à avenida Paulista, aos acabamentos em pastilhas, elementos vazados, os grandes terraços e o programa das áreas comuns, este edifício e uma síntese do desenho inconfundível de João Artacho Jurado e faz parte da coleção de joias da arquitetura paulistana.

 

 

A avó materna do advogado André Previato comprou ainda na planta, nos anos 1960, um apartamento no Edifício Saint Honoré, na Avenida Paulista, em São Paulo. O prédio, projetado pelo construtor João Artacho Jurado, tornar-se-ia um ícone da arquitetura da cidade.

 

Em 2019, a senhora, que viveu no imóvel durante toda a vida, faleceu e o deixou para a família. O apartamento de 240 m² no 18º andar acabou sendo comprado por André e Alexandre Skaff, marido do advogado André Previato e sócio de Simone Carneiro no escritório SAO Arquitetura

 

O escritório, SAO Arquitetura, iniciou o projeto analisando toda a planta estrutural, assim como os itens que poderiam ser restaurados. O apartamento contava com um acervo grande de móveis Dinucci, marceneiro e designer expressivo de 1960, que assinava todo o mobiliário do apartamento original.

 

 

 

 

Assim, o projeto desta reforma foi um ajuste na configuração do layout do imóvel para otimizar os novos espaços e circulações e, ao mesmo tempo, fazer um minucioso trabalho de restauro e escolha de materiais que permitisse à nossa intervenção ter um diálogo com a arquitetura do edifício.

 

O desenho do imóvel foi repensado de modo a ter o mínimo de interferência possível, as salas foram ampliadas criando um único espaço integrado, a estrutura aparente, resultado da demolição, somada a um monolito em granilite que foi criado em um dos quadrantes do espaço, delimitam área social do apartamento.

 

As novas conexões dos ambientes proporcionaram maior iluminação natural e ventilação cruzada. A cozinha, agora aberta à sala de jantar, ganhou amplitude com a inserção da ilha em granilite que se tornou o espaço de apoio e conexão dos ambientes.

 

 

A escolha da materialidade foi bastante resumida e implantada em todo o imóvel, tendo como base a utilização do granilite, madeira e mármore. O apartamento carregava consigo uma grande memória afetiva, tanto no mobiliário que testemunhou 3 gerações quanto nos acabamentos originais. Desde o piso de peroba rosa que foi retirado, restaurado e reinstalado, aos caixilhos em madeira que foram refeitos obedecendo ao desenho de Jurado, todos os detalhes do apartamento foram pensados para trazermos um conjunto que permitisse a união dos elementos existentes com itens
mais contemporâneos. Em paralelo à execução da obra, houve um trabalho de pesquisa e garimpo em antiquários em busca de complementos para, por exemplo, as maçanetas originais de murano e para o restauro das luminárias pendentes de 1963.

 

 

 

Com as salas todas unificadas, foi a junção das peças originais restauradas e novas peças contemporâneas que definiram os limites do layout. Os espaços vazios permitem a inserção de pontos de paisagismo e liberam o entorno das salas para a plena abertura dos caixilhos piso-teto que tem como vista o horizonte cosmopolita de São Paulo.

 

 

 

fotos | Renato Navarro

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