No icônico Condomínio Casa Alta, em Botafogo, um apartamento de 217 m² equilibra modernismo, afeto e design contemporâneo
Em um edifício modernista assinado por Sérgio Bernardes, a reforma valoriza a paisagem do Rio de Janeiro e traduz o encontro entre arquitetura contemporânea, memórias afetivas e um morar sensível
Localizado no tradicional Condomínio Casa Alta, no Morro do Pasmado, em Botafogo, este apartamento de 217 m² passou por uma reforma cuidadosa que respeita a arquitetura original e coloca a paisagem carioca no centro do projeto. Projetado em 1963 por Sérgio Bernardes, o edifício é um ícone do modernismo brasileiro, reconhecido pela planta livre, pela flexibilidade espacial e pela intensa relação com o entorno.
Assinado pela própria moradora, a arquiteta Ana Cano, o projeto foi desenvolvido e executado ao longo de dois meses para um casal com dois filhos adolescentes. O principal desafio foi conciliar universos distintos: de um lado, a afinidade dela com a linguagem contemporânea; do outro, o apreço dele pelo universo rural e pelos materiais naturais.

“Esse projeto nasceu do encontro de dois mundos. A ideia foi criar uma casa que refletisse tanto o gosto pelo moderno quanto o afeto pelas referências da fazenda e da família”, explica Ana Cano. A solução veio por meio de uma arquitetura que mistura tempos, estilos e memórias com naturalidade, sem excessos ou hierarquias rígidas.
O grande destaque do apartamento é a sala em “L”, totalmente envidraçada do chão ao teto, que emoldura algumas das vistas mais emblemáticas do Rio de Janeiro: Pão de Açúcar, Baía de Guanabara, orla de Botafogo e Flamengo, Niterói e o Cristo Redentor.
“A vista sempre foi o ponto de partida. Tudo foi pensado para que ela estivesse presente no dia a dia”, conta a arquiteta. O layout foi desenhado para garantir que a paisagem se revele de diferentes ângulos, transformando o cenário natural em parte ativa da experiência de morar.

Na área social, peças contemporâneas convivem com móveis afetivos e objetos de acervo familiar. O sofá e o pufe de couro dialogam com a mesa lateral herdada, enquanto o painel em carvalho natural e a parede em cimento queimado equilibram calor e sobriedade.
A sala de jantar aposta em uma composição vibrante: mesa branca laqueada, buffet azul-turquesa, cadeiras Phantom vermelhas e uma grande obra da artista Claudia Ferraz, que imprime força cromática e identidade ao espaço.


Por se tratar de um apartamento alugado, a reforma priorizou soluções reversíveis. A antiga tábua corrida, desgastada pela incidência solar, recebeu piso vinílico clicado, facilmente removível.

Na área íntima, o layout foi reorganizado para atender à rotina da família. A suíte principal conta com um closet generoso e vista para a Pedra da Gávea e o Cristo Redentor. Um dos dormitórios foi transformado em home office, outro destinado a hóspedes, enquanto o quarto dos filhos recebeu uma decoração com temática esportiva, alinhada ao universo adolescente.

fotos | Gustavo Bresciani