Casa Sui defende arquitetura generosa e integrada à natureza
arquitetura | CASACOR Minas | Nídia Duarte Arquitetura & Interiores
Arquiteta Nídia Duarte acomoda generosamente a morada de descanso na paisagem verde do Palácio das Mangabeiras, sede da CASACOR Minas Gerais
Casa Sui é pura arquitetura. Desde que Nídia Duarte pisou pela primeira vez no Palácio das Mangabeiras, onde a CASACOR / Minas Gerais fica em cartaz até 25 de setembro em Belo Horizonte, buscou uma área que pudesse mostrar o potencial do seu traço. Já é a terceira participação do escritório na mostra mineira. “Procurei um lugar para trazer a linguagem do escritório. Desenvolvemos espaços totalmente abraçados pela Natureza, pelo verde e total integração com o paisagismo. Um ambiente real para que os visitantes pudessem se identificar com a proposta, com um certo toque de ousadia e os pés no chão”, lembra a arquiteta.

Do gramado escolhido partiu para o desenvolvimento do projeto. Do zero a construção foi erguida em estrutura metálica em apenas 20 dias, ou melhor, pousou sobre o terreno como o leve efeito de suspender no ar. Tudo planejado e projetado pela profissional nas minúcias. “O loft respeita a área que o acolhe, está inserido no contexto da paisagem borrando as marcações entre dentro e fora. Há apenas um lugar em sincronicidade, em diálogo gentil com tudo que já estava lá e passou a fazer parte como unidade”, comenta.
De formato horizontal, linear e layout bastante fluido, a arquiteta deixou propositalmente a base da edificação recuada para favorecer o envolvimento com o paisagismo ao redor. As portas pivotantes – também de sua autoria – estão voltadas para o jardim, escancaradas para o sinuoso recorte da paisagem onde o sol desponta nas primeiras horas da manhã. Além da circulação de ar e ventilação do espaço.

“O desenho das portas pivotantes está fazendo o maior sucesso entre visitantes. Na parte estética elas imprimem um movimento interessante na fachada, formando a volumetria, dobradas de duas em duas. Além da abertura e vedação, por conta da trama elaborada manualmente a partir das cordas náuticas, funcionam também como brises para filtrar a luz natural e proporcionar um jogo efêmero de luz e sombra”, pontua.
Sui de sua, de particular
Da expressão em latim Sui Generis – que significa unicidade, particularidade, originalidade -, Nídia relacionou o sentido ao tema central da mostra “Infinito Particular”. A “Casa Sui” expressa a forma que a arquiteta encara cada projeto, respeitando a história e o desejo tão infinito e subjetivo de cada pessoa que a contrata.
“Casa Sui de sua! Traz a ideia da particularidade, de ser única, em respeito às diferenças de cada um. Como costumo trabalhar o projeto de maneira individual, pois cada pessoa tem sua história e identidade que revela-se no espaço”, defende.

O envolvimento e diálogo frequente com seus clientes influenciou totalmente na leitura e composição cromática e espacial deste projeto. Num tempo de excessos, ela deixou de fora a distração das telas como TV, e priorizou o convívio entre os presentes. A paleta mais neutra sem ser monótona, rica em texturas e materiais de bom toque são reflexos e respostas à vida contemporânea hiperestimulada. A Casa Sui é definitivamente para o descanso e para revigorar a energia e fortalecer relações. Dessa intenção a arquiteta não abriu mão. Os materiais naturais escolhidos cuidadosamente para equilibrar formas e texturas têm o objetivo de despertar o aconchego.

Na sala, o sofá Boomerang de forma orgânica está posicionado para os encontros. O ambiente abriga a bancada da cozinha com a mesa de jantar acoplada e todos os equipamentos para o preparo das refeições. Conectada diretamente à varanda, em volta ao jardim, há um Cantinho Alemão para os cafés da manhã e ainda sofás desenhados pelo escritório intercalados às árvores para o desfrute do verde. A malha em vergalhão deixa a luz entrar livremente e a vista alcançar o belo visual em meio às araucárias e palmeiras. Assistir o pôr do sol ali é um deslumbre. Mais reservado, o quarto, enquadrado numa estrutura de madeira, segue a linha solta com a cama direcionada para o jardim. A chaise desenhada pelo escritório é para os momentos de leitura e o painel de quartzito verde esmeralda que faz vez de cabeceira, dá privacidade ao uso do banheiro do outro lado, acompanhado de uma banheira de imersão. A iluminação delicada e sutil valoriza a volumetria, as texturas e elementos que merecem destaque.
fotos | @estudiony18