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Design e acessibilidade devem ser aliados para trazer beleza, conforto e funcionalidade

É necessário integrar a pauta de forma orgânica aos projetos de interiores, como a AD|VP Arquitetura trouxe para a CASACOR 2024

 

Segundo um levantamento do portal Hand Talk, acessibilidade é uma das tendências mais discutidas em 2024. Agora, já no meio do ano, é possível projetar que essa crescente aumentará ainda mais em 2025. “A acessibilidade é um direito previsto por lei para pessoas com deficiência e é um dever de todas as organizações públicas e privadas”, reforça o portal, e na área de arquitetura e design de interiores não poderia ser diferente.

 

 

Estamos constantemente frequentando espaços, além de passar uma grande parte da vida em nossas casas, e é essencial que todo esse trajeto seja confortável e acessível para todos. Só no Brasil, existem 18,6 milhões de pessoas com deficiência, indica pesquisa divulgada pelo IBGE e MDHC, e mesmo assim ainda existem diversos setores que esquecem de pensar em funcionalidade.

 

O estúdio “Refúgio de Memórias”, criado por Andressa Danielli e Vanessa Pasqual da AD|VP Arquitetura, foi planejado para oferecer conforto e acessibilidade para todos. Projetado para evocar familiaridade e acolhimento, o espaço celebra formas orgânicas e materiais naturais, criando uma atmosfera sensorialmente encantadora. Este projeto é um bom exemplo do futuro do design acessível, que deve combinar uma estética harmoniosa, conforto e inclusão, sem comprometer o estilo.

 

 

 

Com áreas que promovem autonomia e detalhes de acessibilidade integrados de forma essencial, o estúdio atende às necessidades de pessoas com deficiências motoras, garantindo que cadeirantes possam acessar os espaços, móveis e objetos livremente e sem constrangimentos.

 

Silvana Cambiaghi, arquiteta e consultora de acessibilidade da mostra, analisou o espaço. Sendo especialista no assunto, além de mulher PCD, a arquiteta buscou no projeto uma de suas maiores preocupações: a falta de cuidado estético ao inserir funcionalidade em espaços. “As Normas técnicas de acessibilidade e legislação vigente podem ser inseridas de uma maneira fria, sem atratividade; acredito que minha maior contribuição para a mostra foi trazer os parâmetros da NBR 9050:2020, uma vez que sou professora da ABNT, compartilhando com as arquitetas um design atrativo e elegante”, conta.

 

 

Silvana se surpreendeu com o ambiente da ADVP, encontrando algo delicado, sutil e acessível. “Banheiro e cozinha são sempre os itens mais difíceis de inserir na Norma Técnica e esta meta foi atingida”, afirma. O espaço conta com barras no lavatório, barras no sanitário, banco no chuveiro, espaço sob a pia da cozinha para um cadeirante lavar louças, por exemplo, micro-ondas em altura adequada, metais e louças acessíveis e demais itens que nem se percebe que possuem aquele design devido a acessibilidade. “Como o tema principal do ambiente é o fato de ser acessível, tentamos imprimir ao máximo, dentro de todas as regras e diretrizes, estética, design, conforto e funcionalidade”, contam.

 

 

“Tudo que foi proposto, em sua maioria, é design nacional, que traz brasilidade, materiais sustentáveis, alguns adaptados as medidas necessárias e que nos remetem ao passado, de alguma maneira. Nossa intenção foi trazer o verde da Amazônia, que se destaca em alguns pontos do projeto, misturado a pedras naturais, madeira e peças orgânicas. O piso dá movimento, a volumetria do banheiro traz leveza e os painéis e estantes trazem aconchego”, complementa Vanessa.

 

 

As arquitetas ainda reforçam que pautas do tipo podem contribuir positivamente para a sociedade, quando tenta-se ao máximo reaproveitar materiais, usar resíduos para novas composições e reduzir cada vez mais o impacto ambiental nas construções, sem perder o conceito. “Não é porque precisa ser funcional e seguir diretrizes, que não pode ter estética e apresentamos isso pelo segundo ano consecutivo na CASACOR SP”, concluem.

 

fotos | Amanda Bibiano

 

 

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