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Gestos precisos e matéria em diálogo: o duplex de 50 m² assinado pelo Studio Papaya

Com marcenaria sob medida, hierarquia de materiais e uma paleta cromática bem definida, o projeto do Studio Papaya transforma um duplex compacto em uma casa fluida, funcional e sensorial, onde cada decisão orienta o uso cotidiano

 

 

Ao entrar no duplex de cerca de 50 m² em São Bernardo do Campo, um verde profundo recebe o visitante com a sensação de calma que a cor carrega em seu imaginário. O piso em granilite no mesmo tom guia o percurso até a escada, marcando de forma sutil a transição entre chegada e estar. Logo na entrada, o projeto revela sua atenção aos detalhes funcionais: à direita, um painel perfurado folheado em freijó organiza bolsas, chapéus e pequenos objetos; do outro lado, a sapateira convida a sentar, enquanto nichos em laminado verde abrigam livros e discos.

 

Acima, o painel se transforma em forro perfurado, iluminando e desenhando um caminho contínuo que acompanha a circulação. À frente, o espaço se abre: a antiga varanda foi incorporada ao interior e as divisões do térreo deram lugar a um ambiente único, amplo e integrado.

 

 

Desenhada especialmente para o projeto, a mesa ocupa o centro do ambiente e se adapta aos diferentes usos do dia a dia. Um módulo em madeira e inox desliza e se transforma em apoio quando é hora de cozinhar ou receber convidados, reforçando a ideia de flexibilidade.

 

 

A cozinha combina frentes brancas com topos em compensado aparente, enquanto a bancada extensa e as prateleiras em aço inox deixam tudo à mão, em uma organização clara e funcional, quase como uma oficina doméstica. No piso, um jogo sutil de materiais delimita os usos: um “tapete” de cimento marca as áreas de jantar e estar, enquanto o granilite branco sinaliza a cozinha. A demarcação acontece ao nível dos pés, orientando a leitura do espaço sem a necessidade de paredes. Essa hierarquia se repete na materialidade: branco para a cozinha, madeira natural nas áreas de convívio e verde no hall e na circulação, criando coerência visual e sensorial.

 

A marcenaria sob medida é um dos elementos centrais do projeto, funcionando como fio condutor entre os ambientes. No térreo, estantes moduladas e o painel perfurado organizam entrada e estar; o sofá de estrutura metálica, com futons em tom bordô, se combina a baús com rodízios que apoiam a rotina e reforçam a flexibilidade do espaço. A mesa em folha de freijó se estende para encontros e refeições compartilhadas.

 

 

Na cozinha, armários superiores e inferiores alternam nichos abertos e fechados, enquanto prateleiras contínuas em inox alinham preparo e armazenamento. A grande janela do pé-direito duplo traz as copas das árvores para dentro, transformando a fachada em uma espécie de varanda habitada, com bancos e vasos que aproximam interior e exterior. A iluminação acompanha essa lógica discreta: trilhos com spots e pendentes pontuam o ambiente sem competir com a luz natural abundante.

 

Pelo vazio do pé-direito duplo, o olhar alcança o mezanino. Ao final da escada, um guarda-corpo branco com painel laminado verde marca a transição entre os níveis. No andar superior, a combinação da parede terracota com o piso de madeira amendoim cria uma atmosfera acolhedora, ideal para a sala de TV.

 

 

Uma divisória ripada substitui a antiga parede e, acompanhada de prateleiras metálicas delicadas, promove a separação visual sem bloquear a passagem de luz. No percurso até o quarto, uma estante leve com tirantes recebe livros, objetos e plantas, enquanto um espelho em arco e volumes delgados conferem ritmo ao espaço.

 

 

A marcenaria foi desenhada para liberar o chão: a cabeceira simples, em freijó, apoia luminárias e tomadas; o guarda-roupa principal foi posicionado “quase fora” do quarto, aproveitando uma abertura criada junto ao vão de dupla altura. Essa solução libera espaço para a cama, amplia a percepção do ambiente e se apresenta externamente de forma inusitada, quase flutuante. Cortinas de algodão filtram a luz natural e contribuem para o silêncio e o conforto do espaço.

 

fotos | Arthur Duarte

 

 

 

 

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