Como será o amanhã?
O Píer Oscar Wienschenck, mais conhecido como Píer Mauá, é o mais famoso do Rio de Janeiro e foi batizado com o nome do engenheiro responsável por sua construção, que aconteceu entre 1948 e 1949. Após passar por um período de grande degradação, o local agora é palco de uma verdadeira obra de arte. É que acabou de ser inaugurado ali o Museu do Amanhã, grande marco do processo de revitalização da região portuária do Rio de Janeiro.
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A principal matéria-prima utilizada foi o concreto, que consegue dar forma às linhas arrojadas de Santiago Calatrava, além de sustentar a estrutura metálica que compõe a arquitetura. Nas extremidades do edifício o arquiteto projetou grandes balanços. O frontal tem 70 metros.[/caption]
O projeto do museu levou sete anos para sair do papel, mas, há dois, o cenário já havia mudado drasticamente: uma antiga via expressa, o Elevado da Perimetral, foi demolida, dando mais visibilidade às construções históricas vizinhas, como o Mosteiro de São Bento e a Praça Mauá, além do Museu de Arte do Rio (MAR), este último com arquitetura de Thiago Bernardes, Paulo Jacobsen e Bernardo Jacobsen. Tudo isso agora reforça o conceito do Museu do Amanhã, que pretende levar o público a observar o passado e a refletir sobre o presente para repensar o futuro.
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A grande estrutura, feita com perfis tubulares de aço, acopla 48 conjuntos de aletas. Instalado na cobertura do edifício, o sistema se movimenta captando a luz solar que é transformada em energia para a iluminação dos ambientes.[/caption]
Quem assina o projeto é o arquiteto espanhol Santiago Calatrava, conhecido por seus traços esculturais de tirar o fôlego. “A implantação obedeceu à própria orientação do píer, alongandose nele”, assinala o profissional. Toneladas de concreto e aço deram vida à sua geometria singular, ressaltando, inclusive, a cobertura da construção, onde foram implantadas aletas com placas fotovoltaicas. Trata-se de um sistema de painéis que se movimenta ao longo do dia, acompanhando o sol, captando a luz para transformá-la na energia que ilumina o interior do edifício. Ou seja, a estrutura passa o dia em sutil movimento. O prédio também capta e trata a água da baía de Guanabara para o condicionamento do ar nos ambientes.
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Seguindo princípios sustentáveis, como captação e aproveitamento da luz solar e reutilização da água, o projeto pretende discutir as tendências e as perspectivas da humanidade para o futuro. O prédio, implantado no Porto Maravilha, tem capacidade para receber 11 mil visitantes por dia, sendo dois mil por vez.[/caption]
Vale lembrar que Calatrava se inspirou em elementos da fauna e da flora brasileiras para criar o museu. “A construção sugere formas da natureza. As bromélias em particular, porque são bem típicas do Brasil”, afirma. O projeto todo abrange 30 mil m² de área, onde são distribuídos outros equipamentos, como jardins (com projeto assinado pelo escritório Burle Marx), espelhos d’água, ciclovia e área de lazer, além da edificação em si. Esta tem 15 mil m² de área construída com linhas contemporâneas e sustentáveis, como o futuro deve ser.
Imagens: Pablo M.
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