Pedra, vidro e metal, materiais marcantes no trabalho de Monica Drucker
O bairro paulistano do Brooklin Velho é conhecido por seu perfil predominantemente residencial, por suas ruas silenciosas e pelas muitas árvores presentes na região, rendendo-lhe a classificação de bairro-jardim. Foi ali que uma família adquiriu um terreno de mil metros quadrados e solicitou à arquiteta Monica Drucker um projeto sob medida. “É um jovem casal de médicos, pais de duas crianças na faixa dos sete anos. Eles gostam de receber amigos, fazer festas e se reunir para celebrações em geral, como churrascos e aniversários”, narra Monica.
Por conta desse perfil – e também pelo tamanho do terreno –, a casa deveria ser ampla, com espaços que pudessem oferecer duplicidade de uso. Em outras palavras: os ambientes sociais precisavam ficar completamente integrados, enquanto aqueles mais reservados, como o escritório e a cozinha, necessitavam ter a opção de se fechar completamente, solução que Monica resolveu com portas que, quando abertas, ficam inteiramente escondidas dentro da alvenaria. Outra solicitação dos clientes foi a valorização da paisagem por meio da integração com o verde do entorno, em especial nas suítes. Todas deveriam ter vista para o vale que percorre o bairro.
Com esse briefing bem definido, Monica colocou a mão na massa. Aproveitando o platô da casa que existia anteriormente no local, que foi demolida, a arquiteta elaborou o projeto com grandes aberturas e balanços, estruturando a construção no concreto. “Como a estrutura foi pré-dimensionada para grandes vãos, não vemos pilares na sala, nem nos cantos da varanda, que estão em balanço”, assinala. Ao todo, a residência tem 600 m² de área construída, dois pavimentos e um subsolo reservado para a garagem.
Os materiais que dão forma à criação de Monica são a pedra, o vidro e o metal. “Explorei três situações: na chegada, a solidez da pedra; na área social, a fluidez da transparência; e na ala íntima, brises em alumínio que filtram a luz e a vista”, assinala.
As superfícies envidraçadas (laminadas transparentes), apesar de amplas, foram usadas de forma a não comprometer a privacidade, inclusive pela própria presença desses termobrises, na cor aço corten, em toda a extensão frontal, além de persianas de enrolar de poliuretano. “A natureza contribui com a luz natural, que abunda nos ambientes, mas sem causar ofuscamento”, assinala a especificadora.
[metaslider id=5417]Integrados, os ambientes sociais mostram-se bem fluídos no programa. “Quem está na copa participa da diversão que acontece à beira da piscina e na área da churrasqueira. A sala de TV, a de almoço e o escritório se revelam por detrás de altas portas de madeira pintadas de branco, totalmente retráteis, a fim de que todos os ambientes possam se integrar como um grande loft, caso seja a vontade dos moradores”, explica a profissional.
Com atenção às peculiaridades que uma construção sustentável exige, Monica adotou soluções que visam poupar o meio ambiente, como a ventilação cruzada, que diminui gastos com aparelhos de ar-condicionado, e a captação de energia solar, com cinco painéis instalados sobre as telhas de alumínio termoacústicas, voltados para face norte.
No tratamento residencial do esgoto, a água sai 98% limpa para reuso em jardins, vasos sanitários e limpeza de pisos. Ele é feito inteiramente dentro de um tanque que conta com reatores anaeróbicos e aeróbicos, decantação e desinfecção (com pastilhas de cloro). Ele está enterrado na área do gramado entre a casa e a piscina e a água sobe com apoio de uma bomba para uma caixa de 2 mil litros na laje de cobertura, com vários pontos de distribuição. Para arrematar os cuidados com a sustentabilidade, a arquiteta apenas empregou madeira certificada e instalou controle digital de iluminação.
Imagens: Ruben Otero
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