Redução de divisórias cria amplo living
Redução de divisórias cria amplo living
Apesar de sua grande simpatia pelo local, a construção necessitava de reforma para atender às novas exigências de moradia.
Depois de longa temporada na Itália, a primeira providência da arquiteta Dora de Luca ao voltar ao Brasil foi buscar um imóvel confortável para esta nova etapa da vida. Entre a chegada e a compra foram meses percorrendo a cidade, até que finalmente a profissional conseguiu encontrar um apartamento dos anos de 1950 de 240 m2, em Higienópolis, seu bairro preferido.
Mas, apesar de sua grande simpatia pelo local, a construção necessitava de reforma para atender às novas exigências de moradia. “A planta antiga era definida por ambientes sociais e íntimos compartimentados e cheios de portas”, explica. Depois de minuciosa análise junto de sua equipe, Dora de Luca definiu quais paredes poderiam ser eliminadas sem comprometer a parte estrutural, para que o novo layout se tornasse fluido.

A área social e a cozinha foram as partes que mais sofreram interferências. Duas salas deram origem a um amplo living com home theater e estar, delimitados apenas pela distribuição do mobiliário. Outra necessidade foi manter a maior quantidade de acabamentos originais e restaurar o que ainda era possível, como os tacos de madeira que revestem a maior parte do piso deste ambiente e também das áreas íntimas.
A arquiteta lembra ainda que toda a intervenção estrutural aconteceu simultaneamente à elaboração do projeto de interiores. “Como os móveis foram aparecendo de garimpos em antiquários antes e durante a obra, pude fazer um trabalho sincronizado de reforma e design de interiores”, diz. Muitas peças que compuseram o projeto foram herança de família. O jantar e a cozinha seguem o conceito de open space, pois como recebe amigos com frequência, foi a solução encontrada para tornar os encontros mais descontraídos, como se estivesse em uma casa.

Por ser um imóvel antigo, a reforma também se deu em função da necessidade de se refazer as instalações elétrica e hidráulica, além do restauro dos janelões com 3,20 metros de altura, a mesma medida do pé-direito do apartamento. O desejo de Dora era manter a morada clara e bem iluminada. Por isso, partiu de uma base branca com o emprego de cores somente em detalhes, seja em algumas paredes, móveis ou objetos decorativos.
No dormitório principal Dora optou por manter a tranquilidade do branco como revestimento de paredes e armário preexistente, que também passou por restauro com aplicação de laca. O lavabo foge à regra. Com uma composição original, o tom amarelo intenso colore as paredes, enquanto as louças pretas ganham destaque junto ao ladrilho hidráulico preto e branco. Talvez uma sutil referência aos anos de 1970. Já o hall de entrada recebe os visitante com um grafite escandaloso, por Loro Verz. Pra lá de contemporâneo!










“O apartamento ganhou ares de casa ao mesclar peças de design a outras de brechós.”
Dora de Luca, arquiteta
Por Nádia Fischer
Imagens Guilherme Marcato
Matéria Publicada em Revista Decorar 89
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