Sofisticação e elementos rústicos marcam projeto do Restaurante Ello, assinado por Mareines Arquitetura
arquitetura | Mareines Arquitetura
Localizado em Jericoacoara, no Ceará, o projeto que utiliza materiais e técnicas locais recebeu o Prix Versailles pela UNESCO
O Restaurante Éllo foi construído do zero em um terreno estreito e comprido da rua São Francisco, uma das principais de Jericoacoara, no Ceará. Enquanto fazia o projeto do Resort Jericoacoara Dune Village, o escritório Mareines Arquitetura foi chamado para trabalhar em um projeto de restaurante no centro da vila cearense.

Local aberto para a rua de areia, bar integrado e cozinha visível foi o briefing dado pelo cliente – o objetivo era trazer um restaurante sofisticado para um ambiente praiano, além de uma experiência gastronômica singular.
Partindo disse ponto, o escritório se inspirou na atmosfera de Jericoacoara para compor o projeto. Utilizando estrutura de madeira roliça e tábuas de madeira locais, foi criada uma cobertura que, com a sucessão de apoios, compreende superfícies curvas inspiradas nas dunas, principais atrações turísticas da região.
A arquitetura foi pensada para unir o contemporâneo com a natureza, as cores, o rústico e a sofisticação. Diferente da proposta da arquitetura vernacular, a ideia foi recuperar as técnicas e o contexto locais, aliando-os à linguagem contemporânea. Com o pé na areia, os clientes podem saborear comidas e arquitetura inspiradas na paisagem e matéria-prima típicas.

A construção foi feita com materiais locais, com destaque para o eucalipto roliço, principal matéria-prima que forma a estrutura. As cercas, feitas com cipós regionais, conferem o aspecto nobre ao restaurante, e a cobertura de taubilha é complementada pela forração de bambu trançado, que também remete às tradições locais. Por fim, uso da mão de obra local contribuiu para enriquecer a experiência arquitetônica e o resultado projeto.
Conforme explicam os sócios Ivo Mareines e Matthieu Van Beneden, a combinação entre diferentes elementos orgânicos e rudimentares enriqueceu o projeto, ganhador do Prix Versailles na categoria Restaurante para a América Central, Sul e Caribe, conferido pela UNESCO.

“Optamos por uma arquitetura muito contemporânea e ousada, mas que também conta com técnicas rudimentares muito interessantes. São ideias opostas que ficaram lindas juntas, porque acabaram se complementando”, comentam.
Assim como em outros trabalhos do escritório, as plantas desempenham papel fundamental. O destaque do paisagismo são as trepadeiras que adornam as peças de madeira da cerca – uma variação do conceito de parede verde convencional –, refrescando o ambiente e dando um toque romântico.

Os recursos tecnológicos são low-tech, com todas as soluções pensadas com mínimo de tecnologia para máximo de efeito, e foco na sustentabilidade. Um exemplo é o ar-condicionado, presente apenas na cozinha, uma vez que os materiais simples, o vento cruzado e o paisagismo já conferem uma temperatura agradável ao local.

“As pessoas que vão no Éllo sempre se surpreendem, e o que mais nos orgulha é o fato da arquitetura ser uma delas. Mas o mais importante para nós é que essa surpresa não é deslocada do lugar, fizemos questão de que a pessoa se sentisse realmente na cidade, com os pés na areia”, finalizam os sócios.
fotos | Chico Rasta