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Arte sem rosto

coluna | por Patrícia Castellar | @castellarpat

A ESCOLA QUE REVOLUCIONOU A ARQUITETURA MODERNA COMPLETA 100 ANOS

Mais do que uma escola, Bauhaus foi uma fábrica de ideias, um movimento que marcou a arquitetura
e o design tendo como propósito incentivar a formação de uma comunidade através da arte, com o objetivo central de servir ao “novo ser humano”. Walter Gropius, primeiro diretor e fundador da escola, acreditava que os objetos criados deveriam ser desenhados de tal forma que sua produção fosse rápida e de baixo custo. O design de qualidade deveria ser novamente acessível na Alemanha, onde a economia encontrava-se dizimada após a Primeira Guerra Mundial.

Escrever sobre Bauhaus é viajar no passado, retornar para o hoje e receber estímulos para o que poderia ser um novo modelo de negócio que globalizaria arte e design. Dois temas me fascinam: a identidade corporativa já existente na época da Bauhaus – não só os projetos arquitetônicos dos prédios, mas também o design de objetos cotidianos, minimalistas e eficientes – e a tipografia. Em 1925, Herbert Bayer, jovem mestre da Oficina de Impressão e Propaganda em Dessau, sugeriu a eliminação consequente das letras maiúsculas, a fim de gerenciar o tempo. Além disso, por que escrever em maiúsculas, se não se pode falar em maiúsculas?”. Romper com as regras ortográficas do alemão, em que os substantivos são sempre escritos com iniciais maiúsculas era tido como sinal de modernidade. Cartas com o destinatário “bauhaus aus dessau”, escrito em minúsculas, eram simplesmente destruídas pela administração municipal.

O segundo tema é a quantidade de mulheres artistas interessadas que ingressavam na escola de artes na época, com base em uma nova Constituição da República de Weimar, que assegurava à elas a liberdade irrestrita ao aprendizado. No entanto, essas mulheres enfrentavam dificuldades e sempre que possível eram empurradas para a oficina têxtil, embora muitas se destacassem nas áreas de arquitetura e desenho industrial. Ressalto o trabalho de Marianne Brandt e suas criações na oficina de metais, que deixaram referências. O fenômeno Bauhaus continua influenciando o mundo das artes com novos projetos sendo inaugurados esse ano na Alemanha, como o Bauhaus Museum Weimar, que mostra a mais velha coleção de trabalhos de oficina e o Bauhaus Museum de Dessau, que mostra o dia a dia do aprendizado sob o título “Versuchsstätte Bauhaus” (Bancos de Ensaios Bauhaus).

Foto em destaque: Roberto Spina (divulgação)

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