Como criar ambientes com afeto, dicas do arquiteto Chrigor Godoy
Mais do que seguir tendências ou selecionar peças apenas pela estética, a decoração afetiva propõe algo mais profundo: a criação de espaços que refletem as histórias e vivências de seus moradores. A ideia é transformar a casa em um refúgio único, onde cada objeto, móvel ou detalhe carrega memórias e significado. Ao incorporar peças com valor emocional, como móveis que passaram por gerações, lembranças de viagens ou objetos feitos à mão, a decoração ganha um caráter autêntico, carregada de lembranças e bom gosto. O arquiteto Chrigor Godoy, referência em projetos com apelo afetivo, oferece algumas dicas de como trazer essa bossa para os interiores.

Valorize suas histórias
Peças como uma poltrona herdada de família, uma cerâmica artesanal, uma gravura, pôster ou pintura adquirida durante viagens dão alma aos ambientes. Procure itens que evocam memórias e se conectam com momentos importantes de sua vida. Colocar uma tapeçaria feita pela avó, expor uma coleção de livros antigos ou até mesmo resgatar móveis em antiquários mantém vivas as tradições e lembranças de momentos passados. Esses objetos podem ser colocados em pontos estratégicos para se tornarem protagonistas dentro do espaço. Na sala de estar, por exemplo, além de criar um ambiente aconchegante, eles oferecem aos visitantes uma oportunidade de conhecer mais sobre sua história, já no quarto, podem contribuir para o clima de nostalgia e conforto.

A harmonia entre afeto e design
Combinar peças afetivas com objetos de design pode parecer um desafio, mas essa união é o que dá personalidade ao lar. É importante encontrar um equilíbrio entre esses dois universos para evitar que o ambiente pareça sobrecarregado. Mobiliários com design minimalista funcionam como base neutra para destacar os itens afetivos. Um sofá moderno com tons sóbrios pode ser complementado com almofadas feitas à mão, ou uma mesa de centro de linhas retas pode abrigar objetos como vasos, esculturas e livros garimpados. A chave para manter a harmonia está em dosar as proporções e dar o devido destaque a cada peça.
Novas criações e suas possibilidades
Atualmente, muitos designers criam peças que trazem ótimas narrativas, seja por meio da escolha de materiais sustentáveis ou pela inspiração em culturas locais e tradições. Incorporar móveis e objetos de design que possuem essa carga cultural pode enriquecer ainda mais a decoração. Uma cadeira assinada por um designer renomado ou um objeto de cerâmica de um artesão podem agregar beleza e uma camada extra de significado ao ambiente. Além disso, optar por peças que são criadas de forma artesanal ou feitas sob medida trazem exclusividade ao projeto. Peças como essas contam histórias por si mesmas e se tornam parte da narrativa do lar contemporâneo.

Espaços de conexão
Para destacar peças de valor afetivo e design, é importante pensar na disposição e iluminação dos ambientes. Um bom exemplo é criar um cantinho para expor coleções pessoais. Um aparador, prateleira ou até mesmo uma parede podem ser dedicados a objetos, como fotografias de família, recordações de viagens, ou itens colecionáveis de valor sentimental. Outra ideia é misturar peças de design com suas lembranças afetivas em estantes, compondo um ambiente que transmita suas vivências. Esse mix dá movimento à decoração e desperta a curiosidade de quem visita, além de proporcionar momentos de reflexão ao revisitar memórias diariamente.

Texturas e Materiais
Além de itens decorativos, os materiais e texturas usados também podem carregar um valor afetivo. Um tapete vintage, uma manta tricotada à mão ou cortinas de linho levam conforto emocional ao ambiente. A escolha de materiais naturais, como madeira, algodão ou cerâmica, também reforça essa sensação. A decoração com peças de design pode introduzir novas texturas e sensações, como um sofá de couro ou uma luminária moderna, podem adicionar contraste e sofisticação, criando um ponto de equilíbrio entre o aconchego das memórias e a funcionalidade.
fotos | Keniche Santos